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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Chuva. Água. Vida.

Os pingos de chuva
no corpo se escorregam.
Os pelos se eriçam.
Mãos congelam sob a luva.

Pés são como barcos afundados
quando atravessam ruas alagadas.
Enquanto, cabelos são ensopados
e maquiagens são borradas.

Pessoas abarrotadas
no meio do caos
"E a culpa, é de Deus?
Ou é dos homens teus?"

Se gastam com essa dúvida
fingindo que nada sabem.
Choram com medo que a vida
em águas então, se acabe.

Eu que moro no sertão,
tenho ruas sempre secas.
Quando chove é diversão
mesmo se molha as roupas do varal
-que já estão secas-

Minha chuva é uma bênção,
para vocês é uma tormenta.

E todos precisam dela
para manter a sua média.
Pois se o corpo é mais de água
o mundo deve de se acabar nela.

14 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Muito obrigada, Breno.
      Como dissestes, ambos sofremos de alguma forma, uns pelo o excesso e outros pela falta de chuva. Bom seria se a quantidade que caísse do céu fosse o suficiente para saciar as necessidades de cada região. Mas não é assim né, infelizmente.

      Muito obrigada mesmo, pelas palavras. E por sua visita constante... Até breve! Beijo =)

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  2. Imaginei o frescor da palavra nos teus lábios declamando o poema. Uma terna literatura inspirada na água, mística de tua melancolia. Essa luta incansável que as idéias travam contra nós, feito torrentes inundando o Sul.
    Do meu norte, sobre os teus ombros, passagem consentida para ver o horizonte da Terra que o mar habita em nossos corpos.

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    1. Imagina, Sr. Borges.
      Muito agradecida estou, por seu comentário e visita...
      Volte sempre (que quiseres), feliz ficarei por estas.

      Até breve!!

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  3. Olá querida Serena,

    Já os cruzámos por aí, nos comentários dos blogs.
    Estive vendo seu blog e tudo é leve, sereno, como seu nome.
    Apologia à chuva. Muito bem. Sempre foi e será, motivo de júbilo e de riqueza para as zonas, onde ela, abençoadamente cai.
    Passou e pôs lá sua foto no blog "Singularidades da História", mas não comentou. Não se sentiu à vontade ou não gostou do texto? Me diga, porque eu tenho um espírito muito aberto, e o que não está bem, se conserta.
    Sei, e aliás, vi seu comentário no outro blog do Breno Amorim e gostei muito do seu encadeamenmto semântico.
    Terei, teremos, muto gosto em recebêla, SERENAMENTE.

    Beijos de muita luz e carinho.

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    1. Sim, já nos encontramos mesmo. Agradeço muito sua visita, e sim, é verdade que estou seguindo o blog "Singularidades da História", o Breno convidou-me e dei uma passagem rápida para isso fazer, daí dá-se o fato do não comentário. Isso não quer dizer que eu não tenha gostado ou não tenha sentido vontade de fazê-lo. Essa oportunidade sempre terei, e vou fazer; não preocupe-se com isso está tudo perfeitamente bem, é apenas o início do blog e tenho certeza que ele será próspero. Passarei lá depois e deixarei meu comentário.

      Obrigada, mesmo.
      Beijos para ti, Luz.

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    2. Olá querida e leve Serena,

      Tudo o que você escreve e fala é tão uníssono, tão belo, tão doce!
      Entendi, perfeitamente, a sua posição quanto ao blog, que o Breno e eu estamos criando. Quando se sentir mais à vontade, comemte, como quiser.
      Sabe, aqui entre nós, eu tenho pavor à água, ao mar. A chuva, e desde, que não seja muito intensa pode vir, mas mar, rio, oceano, que pavor!
      Tenho de perguntar ao Breno, porque ele estuda a Bíblia, se a 1ª vez, que o mundo terminou foi em fogo. Será, que a próxima vez vai ser em água?
      Me aconselhe, para que planeta, onde seja possível viver, eu possa ir. Eu aguento altas temperaturas, não tem importância, Me diga o nome de um SERENO, tá?

      Boa semana, de sorrisos e de braços com abraços.

      Beijos de luz contemporânea.

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  4. Gostei imenso do seu comentário, cheio de tranquilidade, sorrisos e honestidade. Dos meus preferidos! E aqui me perdi, Serena (adoro o nome desde já). Perdi-me em águas calmas que são transpiradas pelos céus. Água. Sempre gostei, sempre irei gostar. E este poema terminou em grande! Como costumo dizer: Cheque-mate!
    Um grande, sentido, abraço.

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    1. Fico feliz que tenha gostado, achei tudo muito encantador e pretendo ir lá sempre. Obrigada pela visita, sinta-se à vontade para voltar mais vezes...
      E, também gostei do seu comentário, Paulo.

      Abraço, grande e terno, para ti.

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    2. Gostei muito do blog. já aderi aqui. :)
      e, você escreve poemas. ^^ que legal. nem tudo precisa ser escrito sobre o amor. há temas comuns como a chuva ^^ (adoro a chuva,de modo geral).

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    3. Obrigada Suzi,

      Pois é, não ando muito a falar, escrever, sobre o amor, é que isso anda em falta, sabe!? Mas, então, há tanto para se escrever, e como você, eu também sou apaixonada por chuva, frio, essas coisas aí... E não é moleza viver numa região que é a maior parte do ano escaldante, deves imaginar meu penar; quando chove é uma "festa"...

      Volte sempre, é um prazer recebê-la :)

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  5. Intensamente agradecido pelas suas palavras.
    Um grande abraço, quente. :)

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    1. É um prazer comentar teus posts, tudo que tu escreves é tão verdadeiro e profundo. "Muito gostoso de ler."
      Abraço, Paulo :)

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  6. ...Nesta manhã tranquila
    Estou aqui sozinho
    Está tudo tão calmo e sereno
    Apenas barulho da chuva
    Que desaba lá de cima.
    Você deve estar dormindo
    Confortável em sua cama
    Isso é simplesmente normal
    Embora eu aprecie a solidão
    Eu não me importaria,
    Em estar um pouco com você...

    http://diego-nobre.blogspot.com/2012/02/chuva.html

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